domingo, 14 junho 2026

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Câmara de Deputados que incha enquanto o brasileiro rala para pagar o básico

Política

Câmara de Deputados que incha enquanto o brasileiro rala para pagar o básico

O que se viu foi um tapa na cara da sociedade, um deboche institucional. 

Dezoito novos assentos, 18 novas estruturas, 18 novas contas para o pagador de imposto bancar. A desculpa? Crescimento populacional. Como se esse crescimento não pudesse ser resolvido com a redistribuição das vagas já existentes, como propunha o projeto do deputado catarinense Rafael Pezenti (MDB).

A proposta dele era simples, justa e constitucional: realocar as cadeiras com base no Censo de 2022. Santa Catarina, por exemplo, teria quatro novos representantes — sem aumentar em um centavo o custo da máquina. Mas claro, escolheram o caminho mais fácil… para eles.

O que se viu foi um tapa na cara da sociedade, um deboche institucional. Em vez de discutir saúde, educação ou desoneração da folha, nossos representantes preferiram discutir o tamanho da própria bancada. Afinal, cabem mais deputados, mas não cabem mais médicos, nem mais salas de aula.

Pior: o aumento vem em meio a um país com déficit nas contas, juros altos e serviços públicos sucateados. Mas tudo bem, né? Porque se faltar verba, sempre dá para cortar do SUS ou da merenda escolar. O importante é que a Câmara tenha mais gente para bater palmas para si mesmo.

Felizmente, a bancada catarinense na Câmara deu um bom exemplo ao votar quase em bloco contra essa aberração, defendendo mais representação sem inflar o Congresso.

A decisão da Câmara, no entanto, ficará registrada como mais um capítulo da velha política: aquela que se protege, se reproduz e se multiplica — mesmo quando o Brasil real está estagnado.

Paulo Rolemberg/ND+
 

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