Fusão entre PSDB e Podemos deve ser oficializada.
A nova legenda, que deve nascer nas próximas semanas

Prevista para o final deste mês, a fusão entre PSDB e Podemos não é um movimento de força – é vista como um movimento de reconstrução forçada. Os conhecidos tucanos que já ocuparam o Palácio do Planalto por dois mandatos e protagonizaram disputas nacionais, amargam hoje os efeitos de uma crise interna que se arrasta por mais de uma década.
A perda do governo de São Paulo, a ausência de candidato próprio à Presidência da República em 2022 e a redução drástica da bancada na Câmara dos Deputados são sintomas de um esgotamento de modelo e de representatividade.
Já o Podemos, sob a liderança da deputada federal Renata Abreu (SP), tem conseguido manter presença regional, mas ainda luta por maior projeção nacional. Juntos, os dois partidos somariam 25 cadeiras na Câmara dos Deputados e garantem certo peso em tempo de TV, acesso ao fundo partidário e sobrevida institucional.
Em Santa Catarina, os líderes das siglas tentam dar um tom de reconstrução. O deputado Marcos Vieira, presidente estadual e vice-presidente nacional do PSDB, articulador veterano, tem atuado diretamente na construção dessa fusão, e destaca o alcance nos municípios e o esforço para preservar a força da legenda no Estado. O novo partido reforçaria a presença nos municípios e ofereceria estrutura para disputar o futuro político do Estado
Já a deputada Paulinha, que comanda o Podemos catarinense, reforça os laços construídos com lideranças tucanas como a deputada federal Geovania de Sá – que já manifestou o desejo de deixar a sigla – e aposta na soma de estruturas como ponto de partida para algo maior.
Ambos falam em diálogo e solidez, mas reconhecem, nas entrelinhas, que essa união é também uma resposta a um cenário de fragilidade.
A nova legenda, que deve nascer nas próximas semanas, teria musculatura nos números, mas ainda precisará provar que tem fôlego político para se manter relevante. A fusão pode ser estratégica, mas o verdadeiro desafio será reconquistar um eleitorado que já não se identifica com discursos genéricos nem alianças de conveniência.